Instabilidade global e os reflexos do conflito externo no agro da região Noroeste

Instabilidade global e os reflexos do conflito externo no agro da região Noroeste
Publicado em: 4 de março de 2026 Categorias: Notícia
A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã pode parecer, à primeira vista, um tema distante da realidade do produtor rural gaúcho. No entanto, em um mercado globalizado, conflitos internacionais têm reflexos quase imediatos na economia e, consequentemente, no campo. Quando há instabilidade geopolítica, o petróleo reage, o dólar sobe, os fretes encarecem e os insumos ficam mais caros, e esse reflexo logo chega até o produtor rural.
No Brasil, e especialmente aqui na região Noroeste do Rio Grande do Sul, onde a produção agrícola é a principal base econômica, o impacto é sentido diretamente no bolso. Inicialmente, o produtor percebe o aumento dos combustíveis, seguido pela alta nos fertilizantes e pela variação nos preços das commodities.
Conforme explicou o trader de commodities da Cotrirosa, Lucas Jesse, durante entrevista ao Programa Cotrirosa em Seu Lar, o primeiro impacto é sentido no mercado de energia. A proximidade do Irã com o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de vinte por cento do petróleo global, eleva o risco de interrupções no abastecimento. Como reflexo, o barril sobe e encarece combustíveis, fretes e toda a cadeia logística. Para uma região distante dos portos e dependente do transporte rodoviário, qualquer alta no diesel tem efeito direto no custo por hectare, no escoamento da safra e na competitividade do produto final.
O segundo ponto é o câmbio. Em momentos de instabilidade internacional, o dólar tende a se valorizar, encarecendo os insumos importados. No agro regional, esse cenário atinge principalmente os fertilizantes. Entre dezessete e vinte por cento da ureia importada pelo Brasil tem origem no Irã, o que pode provocar reajustes caso o conflito se prolongue. “Quando olhamos para os insumos, especialmente fertilizantes, é natural que haja pressão de alta se o cenário externo continuar instável. Isso impacta diretamente o planejamento da próxima safra”, explica Jesse.
Além disso, há ainda reflexos comerciais. Hoje, o Irã é um dos principais compradores do milho brasileiro. Qualquer retração da demanda, dificuldade logística ou restrição comercial pode afetar o fluxo de exportações e pressionar os preços internos. Ao mesmo tempo em que a alta do petróleo pode favorecer a balança comercial brasileira, já que o produto está entre os principais itens exportados pelo país, o ganho macroeconômico não neutraliza o impacto inflacionário nem o aumento dos custos na propriedade rural.
Como se não bastassem as adversidades climáticas, a pressão externa decorrente do conflito se soma a mudanças tributárias internas, como a taxação de fertilizantes e o aumento do Funrural, ampliando a necessidade de uma gestão financeira ainda mais rigorosa por parte do produtor.
Diante desse cenário, a orientação é acompanhar diariamente o mercado, avaliar momentos estratégicos para a compra de insumos, proteger margens quando houver oportunidade e buscar suporte técnico junto à cooperativa.

